Gandhi e o Cliente

Por mais estranho que pareça, Gandhi já filosofou sobre o mundo dos negócios. Ele criou uma frase muito sábia, como muitos outros exemplos de sua vida. Não consigo confirmar que tenha sido realmente Gandhi quem escreveu isto, mas continua fazendo muito sentido:

“O Cliente é o mais importante visitante das nossas instalações. Ele não depende de nós, nós é que dependemos dele. Não é uma interrupção no nosso trabalho, é a finalidade deste. Não é um estranho no nosso negócio, faz parte dele. Ao servi-lo, não estamos a fazer-lhe um favor, é ele que nos faz um favor ao dar-nos uma oportunidade para o servir.”

Mahatma Gandhi

É comum as empresas acabarem esquecendo-se disso. O cliente é a razão fundamental da existência de qualquer empresa. Em muitas situações o relacionamento com o cliente acaba assumindo uma posição secundária, um peso na organização. Atender o cliente passa a ser algo que as pessoas evitam fazer, por considerarem o trabalho de “atendimento” como um demérito em sua qualificação profissional.

Entretanto, a função de Atender o cliente é a mais importante e difícil de executar. Essa atividade é comumente menosprezada no mundo empresarial. Uma prova disso é a quantidade de empresas que terceirizam este contato direto com os clientes.

Se essas empresas realmente considerassem o cliente algo primordial, nunca pensariam em deixar uma outra empresa ter o privilégio de exercer este contato direto com seus clientes.

Parece óbvio, mas quem controla o canal com o cliente, gerencia o cliente. Nessa posição a empresa tem condições de entender necessidades latentes e futuras, tem o poder de ajudar o cliente a crescer e levar junto sua empresa, além de ter em primeira mão dicas do que precisa ser melhorado para satisfazer ainda mais o cliente. Estrategicamente me parece um contrasenso qualquer empresa se alienar de tamanha vantagem, a oportunidade de ouvir o que o cliente tem a dizer em primeira mão, a oportunidade de cativar o cliente com sua própria cultura, e de criar um relacionamento forte e duradouro.

Atender o cliente é algo tão valioso que deveria estar no DNA de todos os funcionários de qualquer empresa. E Gandhi já falava disso há décadas…

Comunicação de problemas – Ack

Está aí uma palavrinha difícil… “Acknowledge”. Ou “Ack” para os versados. Até para escrever é difícil… imagine fazer isso.

Essa palavra vem do inglês, e significa “tô ciente”. Só isso.

Embora simples de entender, é algo bem poderoso no trabalho. Sempre que ocorre um problema, é comum os responsáveis caírem em cima de corpo e alma. Só que também é comum esquecerem de comunicar isso ao restante da empresa. Não dão o “acknowledge” aos demais.

A comunicação nestes casos é algo muito importante, mas comumente fica em segundo plano. A emergência em curso acaba puxando a atenção total e imediata dos responsáveis por resolvê-la.

O problema com isso é que sempre que ocorre um problema, outras pessoas são afetadas e possivelmente estão paradas, esperando o problema ser resolvido. Se estas outras pessoas sabem que tem alguém ciente da existência do problema e trabalhando em cima dele, podem focar em tarefas alternativas ao invés de perder tempo procurando avisar os responsáveis e saber se alguém está resolvendo a emergência.

Isso ocorre porque temos a tendência de pensar no micro, não no cenário todo. A administração de um problema é algo bem mais amplo e complexo que a resolução específica da causa do problema. E para poder administrar melhor um problema, o “Ack” é fundamental.

O “Ack” é o gargalo, após o qual pode-se administrar o problema em paralelo. Antes do Ack todos ficam procurando avisar alguém, garantir que seja de conhecimento geral a existência de um problema. Depois do Ack, ou seja depois de todos saberem que tem sim tal pessoa cuidando do assunto, o restante da empresa pode procurar alternativas para seguir o trabalho, contornando o problema em curso.

Atendente x Analista de Atendimento

A nobre função de atender ao cliente antigamente era relegada a um 2o plano (ou pior), mas as empresas que perceberam o potencial estratégico dessa função já mudaram sua postura. As que não mudaram certamente mudarão (já dizia Darwin… quem não se adaptar, desaparecerá).

E essa função de ateder ao cliente gerou um termo que, para mim, é pejorativo quando alguém se refere ao relacionamento com clientes, a função de “Atendente”.

Quando ouço o termo, me vem à mente aquele robô, geralmente uma pessoa no início de carreira e bem despreparado, e com um gerundês de doer nos ouvidos. Uma pessoa que além de não ter condições de prestar um bom atendimento (seja por falta de preparação profissional ou técnica), não recebe da própria empresa as ferramentas e o poder necessário a um bom atendimento.

O resultado é que o “Atendente” se tornou um monstro, alguém com quem ninguém quer falar. Nem mesmo os próprios clientes. Se um cliente perceber que para resolver um problema ele tem que ligar para o “Atendente”, já entra num estado mental de negação. Sabe que terá que explicar em detalhes algo que o “Atendente” deveria saber, que provavelmente terá que falar com 2 ou 3 pessoas diferentes, e finalmente terá que reclamar para ser passado a alguém que entenda um pouco melhor da situação. Ah, e ter que ouvir algumas vezes “estarei lhe repassando”, “estarei verificando” e “estarei retornando” até o ouvido se acostumar e ficar dormente.

Esse é o “Atendente”.

O que vem à mente quando ouço o termo "Atendente"

E já que fizeram o favor de denegrir esse termo, me vi forçado a talhar outro termo. Hoje em dia sou praticante do termo “Analista de Atendimento”.

O Analista de Atendimento já é diferente, é uma pessoa que ANALISA o que está ocorrendo, não se esconde atrás de scripts pré-configurados. Realmente ENTENDE o que o cliente fala, ENTENDE o que a empresa e ele mesmo podem fazer a respeito e RESOLVE o contato.

Analista de Atendimento tem orgulho de seu trabalho, e faz por merecer. Analista de Atendimento se põe no lugar do cliente, briga por ele e luta para que ele termine o contato melhor do que iniciou, em todos os sentidos.

Atender o cliente é uma das funções mais importantes e mais difíceis que uma empresa pode ter, e a empresa que não perceber isso (digo, realmente perceber isso) seguirá a mesma lei de Darwin que sela o destino das que ainda têm “Atendentes” no seu quadro de pessoal.

Como calcular seu NPS

Após entender o que está nos fundamentos da metodologia de NPS (aqui) e de entender os conceitos de Promotor e Detrator (aqui), como pode-se aplicar isso na prática para sua empresa?

O cálculo do NPS de sua empresa é bem simples, mas depende de você saber quantos Promotores e Detratores sua empresa tem.

Para isso a metodologia indica uma solução extremamente simples – pergunte!

Há várias formas de descobrir se um cliente seu é Promotor ou não. Após algum tempo experimentando, no livro do Fred Reichheld (vide aqui) ele sugere uma única pergunta:

“Você indicaria esta empresa para um parente ou um amigo?”
    Sim
    Não
    NPS (%) = [Qtde de respostas "Sim" - Qtde de respostas "Não"] / [Qtde total de respostas]

O problema dessa pergunta é que ela é muito seca. Muitos clientes se sentem incomodados de não poder dar alguma nota intermediária e acabam não respondendo ou respondendo levianamente.

Assim, algumas empresas oferecem um range de respostas, no estilo abaixo:

“De uma escala de 0 (nunca) a 5 (com certeza), você indicaria esta empresa para um parente ou um amigo?”
    1 – Nunca indicaria para ninguém
    2 – Acho que não indicaria
    3 – Não sei dizer
    4 – Acho que indicaria
    5 – Com certeza indicaria para todos
    NPS (%)= [Qtde de respostas "4" e "5" - Qtde de respostas "1", "2" e "3"] / [Qtde total de respostas ]

Aqui vale uma observação. Geralmente consideram-se respostas entre 1 e 3 como detratores, e 4-5 como promotores. Faz-se isso para seguir um cálculo mais conservativo, mas novamente o que importa é a tendência desse número, não o valor dele em si.

Claro que na prática é quase impossível obter essa resposta de 100% dos seus clientes, mas certamente é possível fazer uma amostragem realista de sua base de clientes.

O que é NPS – Promotores e Detratores

Seguindo as idéias comentadas no post anterior de NPS (aqui), há uma forma bem simples de medir o quanto de “bons lucros” e de “maus lucros” sua empresa possui. É a medida do NPS.

Para entender o NPS basta entender que existem 3 tipos de clientes:

Promotores Neutros Detratores
  • Falam ativamente a favor da empresa
  • Ajudam a amenizar efeitos negativos de um problema
  • Indiferentes
  • Altamente estratégicos, porque podem ser convertidos tanto em Promotores quanto em Detratores
  • Se próximos a Promotores, permanecem neutros ou aderem aos comentários positivos
  • Se próximos a Detratores, permanecem neutros ou aderem aos comentários negativos
  • Denigrem imagem de sua empresa
  • Multiplicam efeitos negativos de algum problema

E como o nome diz, o NPS (Net Promoter Score) é o saldo líquido entre os promotores e detratores.

Como exemplo, uma empresa A poderia ter 30% de detratores, 60% de promotores e 10% de neutros. Ela teria então:

NPS = 60-30 = 30

Há metodologias que tratam os neutros como Detratores, para garantir uma percepção conservadora da situação, mas do ponto de vista teórico, o conceito envolve apenas Promotores e Detratores. O que realmente importa é a tendência do NPS, e o que você fará a respeito de cada um dos 3 tipos de clientes.

Benefícios de usar CMDB

Artigo interessante que comenta alguns benefícios de usar um CMDB:

http://searchdatacenter.techtarget.com/news/article/0,289142,sid80_gci1167264,00.html

Dentre os 5 benefícios mencionados, um especialmente eficaz é o fato do CMDB ajudar a economizar tempo no diagnóstico de problemas. Já que ele mantém um histórico do que foi mudado em quais componentes, pode-se fazer um trackback dos eventos até identificar a causa do problema em questão.

Muitas vezes a maior parte do troubleshoot de um problema é exatamente descobrir o que mudou desde a última configuração estável, e uma das principais funções de um CMDB é justamente servir de log de configurações.

Escalando o serviço de atendimento ao cliente

Assisti a um painel de debates organizado pelo Marc Hedlund, da Wesabe (empresa do ramo de finanças pessoais) muito interessante, sobre como escalar o atendimento ao cliente. Estavam presentes responsáveis de empresas que costumam atender quantidades gigantescas de clientes, como Flickr (Heather Champ), Rackspace (Frederick Mendler), Google (Pratap Penumalli) e SocialText (Ross Mayfield).

Seguem alguns highlights do painel.

  • Uma forma de aumentar a produtividade do atendimento é o uso de ferramentas práticas. Um tipo de ferramenta é de ”Autocomplete” de texto. Foi mencionado o “Texter” (versão 0.6 ) – instalei e me pareceu bem prático, ainda não senti grande impacto em minha produtividade mas fica a dica.
  • Site interesante, que se propõe a ser um ambiente onde os próprios clientes se ajudam sobre qualquer empresa ou serviço que desejarem, o Getsatisfaction.
  • É muito importante os engenheiros responderem tickets de suporte diretamente de vez em quando. Isto seria a melhor forma de dar aos engenheiros a empatia necessária para levar o serviço ao encontro do que o cliente realmente deseja.
  • O pessoal de suporte e os engenheiros devem ser tratados como parte do mesmo time de desenvolvimento do serviço. O Suporte é peça fundamental para direcionar o serviço no melhor caminho. No Google eles têm essa cultura.
  • No Flickr e na Rackspace eles são bem transparentes com os problemas no site. Se o site está fora, aparece um blog explicando os problemas com o site principal. Obviamente, este blog está hospedado em um local diferente do site principal, para não sofrer da mesma indisponibilidade.
  • Para Ross Mayfield, ”Every website should be a damn wiki” (todo website deveria ser um wiki), no sentido de que exista sempre a colaboração entre os próprios clientes, sem precisar que a empresa prestadora do serviço tenha que entrar para resolver problemas.
  • 70% do conhecimento sobre seu produto (dúvidas, reclamações, explicações) ocorre sem que você (sua empresa) fiquem sabendo. Esse conhecimento fica retido entre os usuários de seu produto mesmo.
    • 10% desse conhecimento atinge o call center.
    • 1% é absorvido pela empresa, para melhorias e correçãoes.
  • Existem 3 tipos de conhecimento:
  1. O que sabemos que sabemos
  2. O que sabemos que não sabemos
  3. O que não sabemos que não sabemos – seriam os 70% mencionados acima.
  • Sobre o conhecimento do tipo 3 (tudo que não sabemos que não sabemos) é uma fonte excelente de inovações. Ela ocorrerá com ou sem seu conhecimento, então o melhor é sua empresa mesmo fomentar estes locais de compartilhamento de informações dos seus usuários.
  • Existe uma classe diferenciada de usuários, os superusuários, que passam e 6-12 or por dia interagindo nos fóruns de discussão do Google. Eles ficam colaborando e ajudando colegas usuários. Isso sem intervenção do Google, só por vontade própria. Esses superusuários devem ter permissão e incentivo da empresa para seguirem esse serviço proativo. Uma forma de incentivar isso é criar formas de reconhecimento de tais superusuários (não fala-se de reconhecimento monetário, mas de notoriedade na comunidade mesmo), e criação de locais de interação exclusiva entre estes superusuários.
  • E um contraponto a essa mesma idéia, da Heather: Existe um problema quando cria-se o status de superstar nos fóruns – existem os usuários que são extremamente participativos, mas ao mesmo tempo fornecem respostas erradas frequentemente.
  • Ross: “Fóruns são excelentes lugares para ter suas perguntas respondidas, mas péssimos locais para encontrar respostas que já existem”.
  • Ross: A única forma de escalar o atendimento a clientes com um bom custo x benefício é com ferramentas de colaboração entre os usuários.
  • Em certas situações seguir alguém no twitter pode ser visto de forma negativa. A pessoa se sente invadida e pensa que a empresa a está perseguindo. Marc sugere seguir somente pessoas que já tenham muitos seguidores, assim nota-se que esta pessoa trata o twitter como um espaço mais aberto. Ao contrário de outra que tenha poucos seguidores, que deve pensar o twitter como um espaço mais particular.
  • Como manter um mínimo de padronagem no jeito como os milhares de pessoas de suporte atendem seus clientes? Na Rackspace montam-se grupos focados em assuntos específicos, assim a cultura de atendimento nunca se dilui muito e pode-se manter uma uniformidade de atendimento a estes nichos de clientes. Existe um account manager e um time dedicado a uma quantidade fixa de clientes. Hoje em dia a Rackspace tem 25 times. Ele tem aproximadamente 16000 clientes.

Olho-no-olho

Assuntos urgentes devem ser tratados de forma URGENTE, correto?

Só que na prática não os tratamos assim.

    Quais destas situações você considera que foram tratadas de forma urgente?

  • “Sim isso é urgente. Tanto que passei o e-mail para o pessoal comprar urgente esse equipamento”
  • “Claro que isso é urgente, farei assim que terminar este outro assunto, só 2 minutos!”
  • “Deixei um bilhete avisando que é para tratar urgente este assunto, não se preocupe!”

O que você acha? Na verdade nenhum desses exemplos teve um tratamento realmente urgente.

O tratamento de algo urgente deve ser PRIORITÁRIO.

Só podemos dar prioridade a UMA ÚNICA coisa de cada vez. É impossível ter mais do que uma prioridade num dado momento, por definição.

Mas o tratamento urgente não para aí. Se uma tarefa urgente requer que outra pessoa a continue, a passagem desta tarefa para o próximo responsável é crítica.

De nada adianta você ter tratado com prioridade sua parte, se a próxima pessoa não fizer o mesmo. A tarefa ficará esperando essa pessoa  ficar disponível, não é mesmo? Terá sido tempo perdido seu, energia jogada fora. Além de uma tarefa urgente ter ficado parada. Você se matou para fazer sua parte ainda hoje, mas o próximo responsável só pegará a tarefa amanhã…

A melhor forma de garantir que a passagem de uma tarefa urgente seja eficiente, é “olho-no-olho”. Ou seja, ter absoluta certeza de que o próximo responsável recebeu a informação de que a tarefa é urgente, e ter certeza de que o próximo responsável está pegando essa tarefa imediatamente. Literalmente falar olho no olho com a pessoa, ou telefonar e conseguir falar direto com ela.

Qualquer coisa menos impactante que isso não é realmente um tratmento de urgência, concorda? Pense assim, você deixaria um bilhete para o médico do hospital cuidar com urgência de sua mãe machucada? Ou você faria questão de ir falar pessoalmente com ele, e ter certeza dele entender sua urgência?

NPS – Net Promoter Score – Good x Bad Profits

Estou lendo o livro “The Ultimate Question: Driving Good Profits and True Growth” do Fred Reichheld. Nele é apresentado este conceito de medição de qualidade de uma empresa, o NPS, e explica como o NPS interfere de forma decisiva no crescimento e lucratividade.

A idéia central é a de que o crescimento de uma empresa está intimamente relacionado ao que o autor chama de “Good Profits” (Lucros Bons).

Os bons lucros são fruto de um relacionamento mutuamente benéfico com os clientes, onde não há nada que o cliente perceba como abusivo. Os maus lucros provêem da exploração negativa do relacionamento com o cliente.

Qualquer lucro vindo de um cliente que se sinta insatisfeito com você é um mau lucro. Este mau lucro gera sim resultados para a empresa, mas em contrapartida vai corroendo sua relação com os clientes.

“[Bad profits] are earned at the expense of customer relationships.”

“[Maus lucros] são obtidos em detrimento do relacionamento com os clientes.”

Fred Reichheld, “The Ultimate Question”
Bons Lucros Maus Lucros
  • Seu cliente usa seu produto para agregar valor a seus próprios clientes
  • Seu cliente paga mais por seus serviços, mas sabe exatamente porquê está pagando mais
  • Você prefere indicar o serviço mais adequado do seu portfólio ao cliente, mesmo que este cliente tivesse aceitado um serviço mais caro, porém desnecessário
  • Sua empresa baixa os preços, mas para manter a lucratividade diminui os custos com atendimento. Isso piora a qualidade percebida pelo cliente
  • A empresa retém o monopólio em seu setor, então pode aumentar preços sem medo de perder seus clientes
  • Os preços de seus produtos são tão complicados que induzem o cliente a contratar algo desnecessariamente

Você consegue lembrar de bons e maus lucros que você, no papel de consumidor, já tenha percebido?